terça-feira, 29 de julho de 2014

Aos novos aventureiros da autopublicação (Self-publishing)


Ao optar pela autopublicação, eu já estava mais ou menos pronto para tudo: satisfação pessoal, total controle dos meus primeiros passos, preconceito, ralação pra divulgar e toda uma montanha russa de fortes emoções.


Eu me pergunto sempre por onde andei nos últimos anos que demorei a perceber como está fácil publicar um livro. Vi isso acontecer com o cinema durante o boom da tecnologia digital e lembro dos meus professores da faculdade promovendo discussões sobre as vantagens e desvantagens da democratização audiovisual. Desvantagens? Eu nunca consegui encontrar... Se a questão é que isso facilitaria a produção de trabalhos ruins, por outro lado, também facilitaria a produção de coisas boas. E é assim com os livros. Quem tem o sonho de publicar, encontra uma série de opções baratas através da internet. É possível lançar em ebook pela Amazon, Google Play, Kobo, Bookes, ou bancar o impresso. Este é o momento em que as dificuldades de publicar dão lugar às dificuldades de se destacar, criar um produto de qualidade e se manter no mercado.


Numa entrevista, o editor-chefe do Grupo Record Carlos Andreazza comenta da importância dessa nova realidade. Disse que lançou autores cujo primeiro trabalho foi por autopublicação e que, certamente, essa será a realidade de muitos outros autores.

Publiquei meu primeiro romance ano passado, conheci vários autores e venho formando opinião a respeito dessa experiência. Embora a trajetória seja única para cada novo escritor, há alguns pontos gerais para quem tem curiosidade a respeito.


EDITORA

Nesse modelo de autopublicação impressa, é você quem escolhe a editora. Eu escolhi uma que tinha 10 anos de experiência e um orçamento relativamente bom. É preciso pensar quanto vai custar cada livro impresso, pois isso afeta quanto o autor irá cobrar por ele depois.

REVISOR

Muitas editoras oferecem revisão, mas vale à pena pensar num revisor indicado ou conhecido. Há os que trabalham como copidesque que, além de revisar erros, também pensam na estrutura da narrativa quando algo não se encaixa bem.


PREÇO
Publicar 500 livros está numa faixa de R$8000,00. Tem quem cobre menos e quem cobre mais. Importante pensar nos benefícios da editora. De 500 pra 1000, nem muda tanto o valor. Só pense que você não vai querer ver seus livros mofando, então é legal dar uma analisada cautelosa a respeito. Por aí, você consegue tirar uma base e se preparar pra economizar uma grana.


LEIS DE INCENTIVO
É bom saber se na cidade do autor existem projetos de lei de cultura que beneficiem autores com verbas públicas. Tudo vai depender da qualidade da proposta do livro, da contrapartida oferecida e de uma boa atenção à todas as exigências do edital.


RELACIONAMENTO
Todo mundo lê por aí da importância das redes sociais para autores iniciantes. Acho que muitos se confundem nesse momento. Após lançar o primeiro livro, o autor vai perceber que existem centenas de outras pessoas na mesma situação dele. Todos querem falar de seus livros e todos frequentam os mesmos grupos e comunidade. Eu, me colocando no lugar de um possível leitor, acho muita coisa chata. É que, na verdade, rede social deve ser usada para relacionamento. Trocar ideias, pensar projetos, ouvir e fazer críticas, buscar assuntos relacionados ao tema do livro. E vale a pena ser honesto, verdadeiro e não ficar fingindo amizade por interesse. Ter personalidade para se relacionar com os outros é muito importante. É um grande momento de aprender, inclusive, a dizer não. As pessoas com quem o autor iniciante se relaciona e, principalmente, com quem o autor deixa de relacionar, significam muito para a definição da trajetória dele.


PRECONCEITO
Se por um lado parece chique publicar, para o mercado, a autopublicação ainda tem muito que ser defendida como modelo profissional de qualidade. Como é democrático e todo mundo publica, há muita história mal escrita (farei uma postagem sobre o meu parâmetro de história mal escrita), sem revisão, com erros gravíssimos de português. Mas, pela postura do autor, já dá pra ter uma ideia do que esperar do livro dele. Para obter respeito do trabalho, é preciso saber conquistá-lo. Leva tempo e não é da noite pro dia que as coisas acontecem. O respeito e a admiração são construídos diariamente.


BLOGUEIROS
Eu fiz poucos e bons amigos blogueiros. Pessoas inteligentes, interessadas e que o papo flui bacana. Porém, os autores são procurados diariamente por pessoas pedindo livro com a promessa de que ganhará uma resenha de divulgação. Cara com coração mole, se dá mal aí. Custa caro publicar, mas agora imagina todo dia dar um livro pra alguém! Tenha um pdf disponível sempre para esses casos. Blogueiro que pede um livro para resenhar no blog e que gosta mesmo de ler, não vai se importar se você não puder dar o impresso. Mas não dá pra descartar as resenhas. Primeiro pela divulgação, segundo, pra ter a opinião de alguém de uma forma bem estruturada (nem sempre...) e também pra ajudar o autor iniciante a ganhar confiança no próprio trabalho. Todos os blogueiros que resenharam meu livro não fazem ideia de como me ajudaram nisso. Chego a dizer que eles sabem falar do meu livro melhor que eu mesmo.


ESTRELISMO
A grande armadilha do universo literário é a vaidade.  Sempre achei que era melhor esforçar para fortalecer o nome do livro e não o nome do autor iniciante. Mas eu vejo muita gente que inverte isso. Tudo bem que cada um sabe da sua estratégia. Só que parece que alguns escreveram o livro somente pelo status. Antes de lançar, exclui meu perfil no facebook, pois tinha gente demais lá que eu já nem fazia ideia de quem eram. Isso poderia atrapalhar na divulgação de lançamento. Eu não queria apenas que soubessem que eu estava publicando, queria que as pessoas ali realmente se interessassem em ler. Fico feliz de ter dado certo. Eu tinha, nesse caso, um círculo de pessoas que respeitavam o meu momento e não me idolatravam por motivos banais - Primeiro que escrever não enriquece (tirando os autores famosos de best sellers...), e segundo que eu queria foco no livro e não em mim.
É um caso delicado... Como pode dividir opiniões, fica a minha de que autor em busca apenas de status, não me convence.


OBJETIVOS
Esse tópico deveria estar no começo desse humilde artigo, mas vai no fim para fixar. Tudo depende dos objetivos. É preciso saber desde sempre o que se quer e fazer um planejamento que vá ao encontro dos propósitos. Tudo parte de um conhecimento profundo de si. A capacidade, a vontade, a intuição, o sonho... Esta é a melhor maneira de ter uma direção para não sair dando tiros desesperados no escuro. Tudo o que se manifesta, ficará pra sempre. E é bom ter, inclusive, medo de realizar estes sonhos. Às vezes, eles são maiores que nossa capacidade de saber lidar. Sou a favor do pé no chão. E é assim que eu me baseio em busca de reconhecimento e de fazer a minha carreira que acabou de começar! Aliás, é por isso que digo que não sei o segredo e não dito regras, mas sei onde quero chegar e não me importo em compartilhar um pouco do que absorvo e observo.


O que achou desse texto? Opiniões e críticas serão sempre bem-vindas!